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A proposta de extinção do Senado tem sido tratada emocionalmente como retaliação aos fatos ocorridos recentemente naquela Casa, o que é indevido e falso menosprezando esta possibilidade da Reforma Política. Na verdade, a falácia senatorial se dá por si mesmo, por suas falsas origens de representar unidades constituídas artificialmente, em uma federação constituída diversamente do modelo pelo qual foi imitado o instituto – os Estados Unidos, constituído pelas 13 unidades que se uniram na luta contra os ingleses pela Independência.

Aqui, foi o Poder Central que constituiu as unidades, que sempre se subdividem criando novos deputados e senadores, como ocorrerá em breve com o Amazonas. Ou que ocorreu, por exemplo, com o Mato Grosso, que virou dois. Ou os territórios, que viraram Estados. A representação de três integrantes por Estado, independentemente de seu eleitorado e de sua população, provoca distorções ainda maiores do que as provocadas pela falsa representação da Câmara dos Deputados, com seus máximos e mínimos, máximo de 70 e mínimo de 8 deputados, falseando a representação do eleitor.

No Senado a ocorrência é ainda pior, pois Estados com apenas algumas centenas de milhares de eleitores tem o mesmo número de senadores que São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Temos o caso de senadores eleitos pelo Amapá que nunca foram ao Estado… Ou seja, com o Senado atuando como “filtro” das decisões da Câmara, por onde tem que passar, ocorre um estupro da democracia de largas proporções que deforma completamente o cenário de uma suposta democracia que, dizem, está instituída.